Brincadeira sem graça
Fui ao shopping. Coisa que, ultimamente, tenho feito muito, pois trabalho próximo ao shopping Eldorado, na beirinha da Marginal Pinheiros. E hoje inspirei-me a passear pelo shopping.
Encantou-me uma loja imensa de brinquedos, com caixas coloridas, bonecos de pelúcia e pelúcias que parecem de verdade. Entrei pra ver preço e respondi à simpática vendedora que procurava brinquedo para criança de dois anos.
— Menino ou menina?
Responderia tanto faz, apesar de se tratar de uma menina.
— Menina.
Aí percebi o porque da pergunta. Do lado oposto ao que a moça me indicou, ficava o dos meninos. Cheio de armas e guitarras e uma selva de brinquedo pra abrigar o Max Steel.
E passo a passo eu me afundava numa bolha cor de rosa, com bonecas que trocam de roupa e cozinhas ultra-equipadas, pôneis e miniaturas da Xuxa. Um mundo perfeito de glitter e fantasia para ajudar a povoar o mundo de mulheres imbecilizadas, submissas e sem personalidade.
Já os meninos não. Eles serão fortes, saberão manipular armas, carros, jet-sky; eles tocarão guitarras e farão das mulhers — as cor-de-rosa— mais um de seus brinquedos. Nada que não seja provado por uma miniautura de família, do lado dos meninos, onde o pai tem uma maleta tipo executivo e a mãe uma colher de pau.
Estruturas centenárias, milenares, reproduzidas e encontrando eco numa loja onde o lúdico assenta as camadas da personalidades dos pequenos humanos. Uma brincadeira irresponsável, no mínimo.
Os bonecos dos Simpsons, pasmem, estavam do lado dos meninos.

