Camisinha é novamente expulsa da igreja
Implacável na rejeição de medidas pró-redução de danos, a igreja acaba de expulsar um padre por defender o uso da camisinha. Nem dispersou o cheiro de álcool do carnaval e o arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pregotto, deu cabo da função sacristã do padre e deputado federal (PT-PB), Luiz Couto, que além do preservativo, defendeu em entrevista a não discriminação de homossexuais. Os incautos não fazem questão da ligação carnaval/álcool/sexo com o alto índice de abortos clandestinos. A média nacional é de um milhão de abortos ilegais por ano.
O argumento católico é claro: camisinha é estímulo ou conivência ao sexo promíscuo. Mas fora do campo da moral, sexo é necessidade fisiológica e compõe a base da pirâmide de Maslow junto com a necessidade de saciar a sede e de se alimentar. E atribuir à propaganda da camisinha o incentivo à promiscuidade é o mesmo que dizer que o uso de copos descartáveis incentiva as pessoas a beberem água.
É intrínseco ao pensamento religioso, no entanto, esse tipo de associação equivocada, avaliando pelo viés moral demandas práticas e comportamentos sociais que transcendem o que é apregoado por eles. O grande problema é que a igreja tem ação massiva pelo canal da culpa inclusive nas pessoas que pulam carnaval com sexo. Ou seja, se a restrição se aplicasse de maneira localizada às pessoas que se consideram moralmente superiores e não se envolvem em sexo promíscuo, seriamos um bom rebanho. Mas, de fato, não somos.
A expulsão do padre Luiz Couto é mais uma punição exemplar para quem tenta desafiar o Tribunal da Santa Sé, a exemplo de Leonardo Boff e congregados. Não se trata só do atraso mental e da cegueira aguda para problemas além-eucaristia, mas de um atentado à saúde pública.


Será que o céu ainda vale o sacrifício? (risos)
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