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Padecer de Falências

20/04/2007

A resposta mais comum quando o assunto é transformação social ou ainda, numa versão flex – um mundo melhor, são propostas norteadas por esperanças em educação. Que se invista mais, que se atue na estrutura das famigeradas salas de aula e na relação professor aluno, isso também se ouve e muito.

E é urgente mesmo que se aplique o que já é quase obsoleto, não fosse pela falta de uso: as práticas e as vivências propostas pelos pedagogos engajados, a tecnologia que emerge das universidades e que hoje teme perder espaço para o que o mercado propõe como necessário.

É um cenário desditoso. Porque as tentativas históricas estão se esgotando pelo ralo da corrupção. Não são, neste caso, mencionados os casos emblemáticos de Brasília, nem do governo Lula. Esta corrupção, cujo significado toma novas e, infelizmente cada vez mais banais formas, é a corrupção das perspectivas de mudança. A falência das revoluções.

Do lado da Educação estão professores e estudantes, onde uns, corruptos pela necessidade dos empregos que lhe saem muito caro, custam às vezes a sanidade e, a busca desta, os empregos. E os segundos, pela necessidade de projeção, já que são caluniados alguns de “estudantes profissionais”. E, talvez pelo mesmo algoz dos professores, temam o mesmo desemprego que segundo o Datafolha, deixou de ser a principal preocupação da população (Folha de S. Paulo – 25/03/07).

Este segundo caso, a corrupção dos estudantes, chama a atenção por conter uma contradição fundamental. As bandeiras do movimento estudantil que bradavam às avenidas nas décadas de 80 e 90, que fundaram a UNE (União Nacional dos Estudantes) em 1937, denunciavam os desvios e os descaminhos da política e das políticas de educação do país.

Hoje, reeleito em 2005 inclusive – fato inédito na entidade, o presidente da UNE, Gustavo Lemos Petta tem predicados de estudante pela imprensa e por quem não quer ver o que de fato acontece. Aos 25 anos, está matriculado e não é inadimplente no curso de jornalismo da PUC-Campinas (período noturno), mas nunca frequentou sequer uma aula. A entidade nacional, representante dos estudantes e à quem se deve o respaldo da atividade, das conquistas e das lutas é presidida pela personificação máxima do estudante profissional.

É a falência da esperança. Esta, no entanto, é a mais salutar das consequências. A partir da falta de esperança pode-se, enfim, deparar-se com a realidade assombrosa que está apresentada.Podemos quase entender o nobre ímpeto de se colocar à frente de uma entidade tão importante na construção do diálogo Educação. E, que ao fazê-lo, não se tenha possibilidade física (em tempo e espaço) de se manter estudante.

Podemos quase entender, não fossem as inúmeras possibilidades de se interferir no campo político de maneira responsável e ética.

À todas as falências é que se deve o prenúncio do que alguns chamam pós-modernidade. Os pastiches e os simulacros suprem uma necessidade também forjada e minam também as possibilidades de novidades.Aos exemplos, no caso da Educação, aposta maior de muitos dos ídolos desta geração de estudantes – algumas vezes traídos, à esses exemplos é que se deve recorrer. Enquanto não estão falidos os exemplos.

Aos exemplos a se seguir e aos a se cassar.

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