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A perda maior

24/04/2007

A contenção de gastos proposta pelo último governo do Rio de Janeiro, de Rosinha Garotinho, teve a eficácia contestada no último dia 18. Assaltantes levaram entre computadores e peças sem valor comercial, a batuta do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos.

Entraram pelo buraco do ar condicionado do Museu do Teatro, em Botafogo. A pensar se o buraco aberto não foi bem maior. E a brecha dada pela administração de um dos principais acervos culturais do país em manter um prédio sem segurança.

Este foi o resultado da demissão dos funcionários terceirizados pela Secretaria de Estado de Cultura no final da gestão, em 2006.

Entre crimes hediondos e chacinas e tiroteios, dos males, eles mesmo! Não é de se assustar a afirmação do diretor do Museu Villa-Lobos ponderar que “esse tipo de crime não traz proveito para ninguém”: e qual traz?

O que leva a vida dos traficantes rivais, o que esvazia cofres à custa de traumas esquecidos pelas retinas abismadas? Os que levam a vida de um filho? Estes provavelmente tragam proveito a alguém. Falta-me resposta: a quem?

O que alarma, em vista do cenário infeliz do crime desta semana é a maneira como são vistos os objetos do roubo. A percepção diminuta de valor, quando se trata – a exemplo da batuta de Villa-Lobos, de uma varinha de jacarandá. De valor inestimável, é certo, mas se estivesse onde estava. Onde tinha o respaldo de uma instituição organizada e orientada a zelar pelo patrimônio histórico e cultural de um povo.

O bastão estava, segundo a administração do museu, junto com alguns outros que carregavam ponteiras douradas e prateadas.

Este foi o terceiro assalto a museus nos dois últimos anos no Rio. O acervo do museu Chácara do Céu ficou desfalcado de quadros de Pablo Picasso, Matisse e Dali em fevereiro de 2006. Os assaltantes entraram armados com granadas.

Nossas vidas passam a assumir valores cada vez menos compostos. Passamos, com a somatização das tragédias, a ser bem menos complexos. A requerer o mínimo: a sobrevivência.

É claro que a situação ideal não é que se encham os patrimônios de seguranças e as favelas com o exército. A rudeza é moral. A falta de envergadura é intelectual para não saber reconhecer as nuances dos valores das coisas e não seus preços.

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2 Comentários leave one →
  1. Ricardo Fernandes permalink
    25/04/2007 9:39 am

    A incapacidade da administração pública reflete-se de maneira mais direta nos pequenos atos. Vivemos em um país onde mortes são contadas por lotes e os dias são pautados com sangue – reflexo exclusivo de uma educação fraca e da total falta de valores que nossa população padece.

  2. Ricardo Fernandes permalink
    28/06/2007 9:45 am

    NÃO VAI MAIS POSTAR?

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