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Máculas, xenofobia e autoestima

12/02/2009

Toda sorte de sentimentos reacionários invadem nossos dias quando notícias como a da jovem que foi barbaramente torturada por babacas neonazistas, na Suíça, essa semana. Vontade de fechar as portas como têm feito reiteradamente os países europeus aos imigrantes (principalmente latinos e africanos) e rasgar as cartilhas da diplomacia.

Natural, posto que é recente o descomunal genocídio promovido pelo Partido Nacional Socialista Alemão, liderado por Adolph Hitler, em virtude de circunstâncias análogas às que motivaram as agressões à brasileira Paula Oliveira.

Embora não sejam tão comuns aqui no Brasil os motivos que levaram a essas atrocidades, temos barbáries também. Temos jovens de classe média que agridem empregada doméstica, o que esconde uma relação muito emblemática. O rico que se desfaz do pobre, que o faz sentir pudor de ser rico, que ameaça a segurança da cidade, que atrapalha sua sanha de ser feliz em paz.

Lá, na Suíça, Estado de Bem-estar social, o que pega é o emprego. Apesar de cativos no topo do IDH, a extrema direita do país promove essas investidas contra os paus-de-arara e dissemina xenofobia. Não é muito diferente daqui de São Paulo, do que fazem com nordestinos, mas aqui tem o argumento da qualificação de mão-de-obra para aliviar. Mas por lá, é histórico, os imigrantes representam grande risco.

Grande risco sob o cunho do pensamento mesquinho e imbecilizado. Porque a miséria e a precarização das relações de trabalho que os grandes conglomerados e os grandes investidores fomentam nos países pobres é grande gerador da imigração em busca de emprego. Outro fator é o fetiche, que também é sub-produto da cultura do consumo e da pouca autoestima dos países do sul.

Natural que a gente queira “ir lá” pegar os skinheads que mataram os gêmeos que a Patrícia esperava, fora o caos neurótico que, decerto, causou na vida da mulher. Mas a raiz deles é funda, isso só ia gerar mais ódio. A reação é fortalecer nossa autoestima. É regar um sentimento de unidade diferente do nacionalismo burro que eles nutrem, que possibilite um amadurecimento cultural para não nos expormos mais como vítimas, sempre.

Não que resolva o que já foi feito, o sangue já ordenhado do nosso povo — às vezes pelo nosso próprio povo. Para os criminosos, xenófobos, a dureza da lei.

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2 Comentários leave one →
  1. Sal. permalink
    18/02/2009 1:45 pm

    OK, esse é um blog pessoal, mas acho que há falta informação pra todos sobre o neonazismo, principalmente porque quando ocorrem ataques de neonazis lá fora, geralmente as vítimas ficam em estado grave -quando não morrem. Acreditar que neonazistas iriam fazer vários cortes pequenos pelo corpo da vítima é de extrema ingenuidade.

    É claro que toda e qualquer xenofobia é idiota, mas também devemos analisar o outro lado.

    De qualquer modo parabéns pelo blog.

    abço

  2. 18/02/2009 3:23 pm

    Opa, Sal. Concordo com você sobre a violência dos skins. Mas caso seja verdade — reitero que não desconfio da Paula a priori — o que pode ter acontecido é uma ação de alerta, entende? Especular, especular… só o que dá pra fazer enquanto não vamos pra Suíça ver o que rola.
    Fundamental seu comentário. Valeu.

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