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Crime perfeito — compartilhamento de arquivos ganha aliado na Noruega

25/02/2009

A história do compartilhamento de arquivos pela internet ganhou mais um bom capítulo essa semana. O partido comunista da Noruega (Rødt — vermelho) iniciou uma campanha para que usuários de compartilhamento de arquivos se identifiquem (com foto e tudo). O tema da campanha é “essa é a cara dos criminosos” (livre tradução de “this is what a criminal looks like”).

O que querem com isso é contradizer as acusações feitas aos fundadores do site Pirate Bay de infringirem as leis do copyright internacional. Ou seja: não são eles, é todo mundo, sugere a campanha. O escudo humano já tem mais de 2,5 mil “criminosos” de todo o planeta. O principal argumento da campanha é que não se pode barrar o futuro com as leis.

A sede Pirate Bay é na Suécia, onde as leis da propriedade intelectual são mais tolerantes e se submetem às leis de acesso universal ao conhecimento e arte. Mas o processo é internacional, o que não garante que os responsáveis escapem das multas e prisão, previstos pela lei internacional de direitos reprográficos.

Há algum tempo, numa entrevista, um importante inventor aqui do Brasil, cujo projeto hoje tem escala mundial, disse-me que discorda da proteção de patentes. Claro que para a produção artística a situação assume outro caráter, mas basicamente ele disse que um inventor bebe em muitas fontes antes de conceber seu produto. E essas fontes não compartilham dos direitos de patente.

Na produção artística os caminhos são outros, mas o princípio é o mesmo. E no caso do compartilhamento de dados, o foco é o acesso e não fundamentalmente a autoria da obra. Um exemplo de que o futuro da música a partir da Internet é exatamente a difusão, muitas vezes em detrimento da remuneração, é o da banda Cold Play, que lançou seu último álbum em uma campanha de contribuição espontânea (paga se quiser e quanto quiser) na Internet. Eles cobravam por uma edição especial do disco. Sinal de que os valores precisam mudar.

Essa mudança aponta para uma consequência ainda pouco discutida da dita crise financeira mundial. As pessoas precisam se acostumar a ganhar menos dinheiro. Ou melhor, os que estavam acostumados a ganhar muito, precisam rever seus conceitos e migrar para um padrão diferente de lucros. Não se trata de uma ode franciscana, sequer de um surto comunista. As relações econômicas, sociais e morais estão em franca mudança. Incitadas ou potencializadas pela Internet.

É claro que já começaram as brincadeiras também!

É claro que já começaram as brincadeiras também!

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