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Festa da demência consentida

27/02/2009

O grotesco é nossa companhia mais cara nesse fluxo que empurra a vida para o fim da primeira década do século vinteum. Esses últimos fatos dos trotes violentos, em especial o da Faculdade de Santa Fé do Sul, retratam o retardo mental, senão a displicência patológica com que os jovens lidam com a realidade.

O que será que aconteceu? Será que a culpa é dos pais que encheram de excesso (sic) de zelo os pimpolhos e nesse meio esqueceram de contar que, no mundo, é preciso responsabilidade? Pra balancear a liberdade que eles, na sua juventude sufocada pelo regime, tanto fetichizaram. Porque boa educação não é sinônimo de repressão ou de agruras desde a primeira infância. Valor é convivência.

Ou será o inchamento da classe média, impulsionado pelas privatizações dos anos 90 — que na mesma medida afundou os pobres na miséria? Esse inchamento e consequente deslumbramento do novoriquismo, bem como a jornada de trabalho fora de casa assumida também pela mãe, pode ter desviado a atenção dos principais formadores de caráter: os pais.

Mas o fato é que a mocinha, a estudante de pedagogia — só para apimentar a piada pronta — que jogou o tal produto químico na caloura, declarou nesta sexta-feira (27), que a aluna, que estava grávida, atingida e queimada nas costas, braço e pernas, exagerou. Que não precisava ter provocado tanto alarde na imprensa, afinal nesse mesmo início de ano houve casos piores como o do rapaz que entrou em coma por causa da violência do trote.

A violência sequer é posta em questão. Quer dizer que é algo introjetado, algo assumido pela estudante, que representa grande parcela dos jovens. Ano a ano notícias como esta ocupam a pauta dos jornais no início das aulas. Nas redações o assunto já deve ser pauta agendada. “Quem morreu esse ano no trote?”.

No fim das contas, o que devemos acreditar é que fazem por gosto. Pois se assumiram a violência como algo plausível e passível de atenuantes, o que varia é só a forma. E para essa demência consentida, que se faça entender, ainda que tardiamente, que há de cessar.

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