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Medo e dominação; estamos sitiados?

16/03/2009

Manter uma sociedade assustada é a melhor forma de dominá-la. Alguém deve ter dito isso, ouve-se pelas esquinas da Internet, nesse ou naquele texto sobre crítica de mídia, crítica política. Mas é desesperador quando o produto do medo bate à nossa porta, cutuca a nossa mente sobre coisas que deveriam ser feitas no dia a dia e não são. Como bloquear o ciclo vicioso do medo, por exemplo.

O fato do avião que caiu no shopping em Goiânia foi exaustivamente repercutido e a sensação de relevância foi devidamente incutida no público através da repetição e do agendamento da mídia pela própria mídia. Quer dizer, se todos os jornais deram, é importante; se meu concorrente cobriu, tenho que cobrir a tal notícia.

Então quando acontece com a gente é que a coisa fica mais visível. Estava no ponto do ônibus no sábado à noite, quando se aproximou uma velhinha, nitidamente aflita e puxou papo. Me perguntou o protocolar e em seguida ergueu os olhos e soltou o motivo da aflição.

Naquela hora passava um avião sobre a região onde estávamos. Aquela é a rota dos aviões que saem de Congonhas. E a senhora me disse que aquele avião estava voando em círculos e que estava preocupada.

De fato, numa perspectiva prática, o medo daquela senhora a respeito de aviões não implica na dominação da qual falava anteriormente. Mas reflete o quanto isso está arraigado.

No final do ano passado, me lembro de ter lido sobre uma pesquisa que dizia que cientistas americanos conseguiram isolar o gene do medo. Que o medo e a associação das pessoas às lembranças ruins era definido geneticamente. Quanto absurdo! De fato, algumas características podem ser genéticas — alguns tipos específicos de sinapses —, mas atribuir à biologia um comportamento estritamente sociológico é tentar dissuadir-nos do que constatamos com os olhos.

Diariamente somos bombardeados por ordens que nos encurralam num padrão de vida que nos dá apenas uma opção: seguir. Assustados seguimos melhor às ordens.

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